virtuoses

Espaço de livre pensar. Escritos, manifestações e muito etc etc.

11.1.11

JANEIRO SEM DINHEIRO

Mês de dezembro é aquela festa, décimo terceiro, salário antecipado, presentes, viagens. Vem o mês de janeiro, as crianças de férias, em casa, comendo, merendando, pedindo todo tipo de passeio. Lista de material escolar, IPVA, IPTU e outros débitos típicos do primeiro mês do ano. E o pior, quase 40 dias do último salário recebido. Pensando nisso, escrevi um pequeno texto que ilustra um pouco essa situação e ajuda a encarar essa fase com bom humor.

 

JANEIRO SEM DINHEIRO

 

Êta Como É Sofrido

Ficar No Mês De Janeiro

Duro Esturricado

Leso, Liso, Sem Dinheiro.

 

O Sol A Brilhar

O Verão A Acontecer

Um Monte De Bumbum Na Areia

E Eu Sem Dinheiro Pro Buzú

Não Vou Poder Nem Ver

 

Todo dia tem festa

Ensaio aqui, ensaio acolá

Assistir tela quente é o que me resta

Sem fazer cara feia, nem reclamar

 

Sem saldo na conta corrente

Cartão de crédito? Nem pensar!

Vou ter que me virar com uma cerveja quente

Em pé, na porta de um sujo bar

 

Mês de férias, mês de viajar

E eu quebrado, quebrado

Sem um conto pra gastar

 

Quem mandou ser assalariado

Comprar peru, chester e outras coisas de natal?

Agora vou passar janeiro na base do ovo frito

Se quiser dar uns pulinhos no carnaval.

 

Carlos Santos

 

Acesse este texto também no meu blog http://cjsban.blog.terra.com.br/

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29.11.10

Uma Pesquisa pra chamar de Sua!

Em tempos de eleição, as pesquisas eleitorais ficam mais populares que enterro de sogra. A todo o momento, as TVs anunciam com estardalhaço, os jornais publicam com letras garrafais, os locutores de radio empostam a voz para apresentar vossa magnificência, a pesquisa eleitoral!

No Brasil, temos alguns institutos de pesquisa, uns tupiniquins e outros devidamente testados e aprovados em outros continentes. Nos últimos anos, eles parecem a responder a perguntas que os encomendantes querem, sendo uma versão moderna da velha e lendária frase:

- Espelho meu, pesquisa minha, com quantos votos eu vou ganhar esta eleição?

Estes institutos apresentaram aos brasileiros alguns resultados, no mínimo estranhos. Vou refrescar a memória dos queridos leitores, que não lembram nem em quem votaram para deputado em 2010 (segundo uma recente pesquisa):

1 ? eleição de 2006, todas, eu disse todas as pesquisas previam eleição de Paulo Souto para governador da Bahia no primeiro turno. Deu Jaques Wagner. E no primeiro turno. Uma esculhambação.

2 ? a eleição para presidente 2010, só para ficar em um cargo eletivo, foram completamente furadas. Inicialmente, o IBOPE afirmava que Dilma Roussef não teria a menor chance, no inicio da disputa. Depois afirmou, quando ela alcançou os 20%, cessada a capacidade de Lula de transferir votos. O diretor do Vox Populi passou toda a campanha repetindo, a exaustão, que Dilma levaria no primeiro turno. Deu no que deu. Entre outros erros.

A pesquisa eleitoral, para ser publicada, tem que seguir um conjunto de regras. Universo pesquisado, lapso de tempo, local, quantidade de entrevistados, numero de registro no TRE, metodologia, entre outras exigências.

Mesmo sabendo das rígidas regras, resolvi, em uma rápida viagem a salvador nesta terça feira (25 de outubro de 2010), fazer pesquisa. E não é qualquer uma, é a MINHA pesquisa. E fiz logo duas. Uma sobre a eleição presidencial que acontece neste domingo e outra sobre a preferência futebolística do baiano, que seguem as regras citadas acima, apenas não tenho registro, claro!

Seguinte; fiquei no ponto de ônibus em frente o extra da paralela contando os carros que passavam. Marquei uma hora. E anotava todos os carros que passavam com adesivo de Dilma ou de Serra. E para completar a outra vertente (viu que palavra pomposa?) da pesquisa, anotei os carros que passavam com adesivos e ou bandeirinhas do Bahia e do Vitória. Para facilitar a publicação dos resultados, pois este post não possui os recursos moderninhos de gráficos, evolução, comparações e outras parafernálias, vou agora revelar apenas os resultados válidos, descartando as abstenções, os votos brancos, nulos e os indecisos (acredite, tem carro com dois adesivos de candidato a presidência. Isso deve dar uma confusão em casa…).

Para presidente, Dilma 75%, Serra25 %. E ponto final!

Referente às torcidas, deu (lá ele!) Bahia 80% ( na verdade foi 71, mas eu aproximei para 80), Vitória 20%, Outros 9%.

E garanto, como dizia um programa da Globo, ?É tudo verdade.? Vamos Lá, saia a campo e faça a sua. A graça do negócio, e que o resultado é você que decide!

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29.4.10

UM BA X VI. VÁRIOS PERDEDORES

Sou nordestino, baiano, soteropolitano e torcedor deste arremedo de time chamado BAHIA. desde que me entendo por gente. E isso tem mais de trinta anos!
Estava pensando aqui no próximo BA X VI, que acontece domingo, pela final do campeonato de 2010. O campeonato baiano foi ruim. as semifinais foram quatro jogos ridículos.
Nossos times, digo nossos, pois sao o que temos de melhor em nosso estado  (SIC) estao uma merda! quem sagrar-se campeão neste domingo terá muito a comemorar?
O vitoria, um time que nunca conseguiu ser tetra baiano, nunca conseguiu chegar a uma semi final da copa do brasil, nunca ganhou porcaria nenhuma a nivel nacional. não é respeitado pelos programa esportivos que, mesmo estando em segundo no campeonato brasileiro, simplesmente pulam o nome do time. Uma lástima! sem presença numa competição internacional que preste. Uma sulamericanazinha e olhe lá, perdendo para genéricos.
 
O BAHIA, o meu BAHIA vai de mal a pior. Quase dez anos se ganhar esta baba do campeonato baiano. Passando vergonha na terceirona, segundona, nós torcedores enchendo estádios e mais estádios em jogos conta times que os nomes parecem palavrões ( que me perdoem as cidades de origem destes times, mas são horriveis), tomando gol de jogadores com nomes como birigidi, táxi, lexeva e outras misérias….suando para empatar com o Bahia de feira. Há quanto tempo nao vemos um jogador que preste no time? se não me falha a memória, o ultimo tricolor que prestou nestes ultimos tempos foi Robert e alguns goleiros milagreiros. nao quero lembrar do nome de goleiros milagreiros. quero lembrar de atacabntes que “detonam” defesas, de um time que joga a té o fim com garra e valentia. Tô cansado.
Assistindo estes dias o jogo santo André versus Santos, fico pensando, subir pra que merda? tomar 14 a zero dos meninos da vila?
ser campeão baiano pra que merda? garantir vaga na copa do brasil do ano que vem e sair na segunda fase? acabar com o jejum de titulos. Pra que mesmo?
estamos agora comemorando a contratação do sr Angioni. Salvador da Pátria. mas ele estava onde mesmo? OLARIA. Alguem ai me diga o que o olaria ganhou nestes ultimos 500 anos???????????????????????????????
Somos campeões Brasileiros duas vezes. Somos o primeiro time a ir na Libertadores. Somos o unico time que tirou um titulo do santos de pelé. Mas passou. Nao quero ficar comemorando 20, 30, 50 anos do brasileiro de 88!!!!! Quero e mereço mais sendo torcedor do Bahia.
Aí, nós trocedores, ficamos nos vangloriando daqui e de lá, pq temos este ou aquele carro na STOCK CAR, Na STOCK CAR MINI. Porra!!!!!!!! Eu nao quero ser campeão nas pistas. A insossa F1 me basta!
Aí nós torcedores, ficamos imitando as práticas dos torcedores (marginais) dos times do Sul, nos matando feito animais! Vale derramar uma gota de sangue por estes times que aí estão?
Aí nós torcedores ficamos de fora só “comendo bola” desta verdadeira quadrilha que administra o BAHIA.
Nós tambem temos culpa! quantos de nós que amamos  futebol da bahia, que amamos o bahia, somos sócios? Roberto Dinamite conseguiu aumentar o número de sócios do vasco de 900 para 40.000 ( isos mesmo, quarenta mil!!). E Isso com o vasco dando um passeio na Série B. Mas como se associar, pra colocar mais dinheiro na mão dos ladrões que lá estao?
A vitória vive do que nunca vai ser.
O bahia vive do que já foi mas que, pelo andar da carruagem, está quase impossível de reviver.
Resta ao Bahia o mesmo destino da Fonte Nova: Implodir. Explodir as estruturas existentes e começãr de novo. Talvez assim teremos uma chance.
 
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22.3.10

POESIA PAGODIANA

Este texto é a historia de uma pagodeira dando um fora em um ficante, com amor, carinho e claro, pérolas do pagode baiano. Segue:

 POESIA PAGODIANA

Não vou sofrer por amor

Nunca mais

Perereca pra frente,

Perereca pra trás 

 

Não te quero não te quero

Apesar de todo o seu parreco 

 

Com você me desiludi

E caí de paixão

Nesse momento

Ralei a tcheca no chão 

 

Serei forte pra tirar você da vida minha

Resistirei quando pedir

Com amor e carinho

“me dá, me dá a patinha” 

 

Não quero te enganar

Acabou a paixão

Vaza canhão, vaza canhão 

 

Procure  fazer

Algo mais proveitoso

Não vai mais ouvir da minha boca

“desce a madeira, tchuco gostoso”

 

Me esqueça

Pois vou te esquecer

Quero outra voz em meu ouvido

Dizendo “vou te comer, vou te comer” 

 

Vou ser direta

Não vou ficar no enrolation

Agora quero levar a vida

Só no rebolation, tion, tion!! 

 

O amor que eu sentia

Desapareceu, sumiu

Se alguém te falar o contrário

Não vá que é barril !!!! 
 

Carlos Santos - Fev/2010

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23.2.10

GANDHY E EU - 101 ANOS DE HISTORIA

 

GANDHY E EU. 101 ANOS DE HISTORIA.

 

Vou começar explicando o título, antes que alguém queira me taxar de mentiroso. Aceito o título de contador de história, mas de mentiroso, recuso. Caso minha memória não me traia, não me lembro de ter saído em algum bloco no carnaval de salvador. Mas este ano, que completei quarentinha, foi diferente.  Ganhei uma cortesia e sai de Gandhy. E somando os 61 anos de Gandhy e meus quarenta, tá explicado o título.

Mas agora, vamos aos detalhes.  Peguei a fantasia na sexta. Até aí, nada demais. No sábado, fomos eu e meu amigo Queiroz (ou barreira) no pelourinho “costurar” o turbante. Então comecei a entender a magia do Gandhy. Foram mais de duas horas esperando por uma vaga para costurar o turbante. E R$ 10,00 a menos no bolso. O enfeite custa entre R$ 5,00 e R$ 7,00. Depois mais R$ 5,00 de gasto ou investimento, como queiram, para reforçar a sandália. Pois do jeito que entregam, elas não agüentam o percurso. Mais R$ 33,00 em colares, de tamanhos e preços variados, totalizando 27 colares. Mais R$ 5,00 no porta apetrechos. Fiquei Por aqui, mas quem queria sair “completo”, tinha a cabaça, a luva e etc. isso é o que chamo de movimentar a economia informal.

O primeiro dia seria o domingo e segui as orientações do meu amigo Queiroz, velho freqüentador do afoxé. Tudo preparado, vestimenta ajustada, sandália calçada, alfazema na mão, partimos para praça da sé. Incrível o poder de um Gandhy.

Primeiro, porque com aquele tapete branco, ninguém se atreve mexer com um de nós. São mais de 6.000 (seis mil) integrantes na rua. Depois, tem a mística propriamente dita. A cada esquina uma pessoa te para pedindo uma foto, um colar, um pouco de alfazema. Teve um casal de Manaus que fiquei impressionado, pois quando concordamos eu e meu amigo Queiroz em tirar uma foto com eles, a expressão de felicidade foi espetacular.

Quem já foi num carnaval ou qualquer festa de rua, se deparou com a fila de policiais. Você acredita que até eles pedem licença a um Gandhy? Um Gandhy que te vê pela primeira vez te cumprimenta com se fosse amigo. Sem falar no desfile propriamente dito, pois a energia que flui do tapete branco é algo indescritível.  De arrepiar. O ritmo e os hinos entoados dão um clima todo especial. De vê ser isso que chamam de “ajayo”.

Sem contar com a expressão de namorados, maridos e afins, quando estão acompanhados e encontram um Gandhy. E um tal de apertar as meninas. E um tal de fazer cara feia. Um tal de estufar o peito e fazer cara de brabo que dá vontade de cair na gargalhada. Gandhy é perigoso!. Na segunda feira, antes de desfilar na Barra, passamos no Garcia, para curtir a mudança do Garcia e saborear maravilhosa feijoada servida por nossa amiga Lezineide. Após o desfile na barra, chegamos ao apartamento de um amigo em Ondina. Notei uma expressão de certo receio entre os “homens” que se encontravam na garagem do recinto quando entramos. Quanto à lenda dos colares, acontece, mas depende da intenção do portador do colar. Se quiser descobrir mais detalhes, em 2011 saia de Gandhy depois me conte.

No mais, o de sempre. Camarotes espremendo o povo, os patrocinadores ditando o ritmo do carnaval, o pagode evoluindo de duplo sentido para sem sentido, os afoxés, blocos afro, de samba e de índio lutando para não serem extintos, Claudia leitte tentando ser Ivete, Ivete sendo insuperável, o chiclete com suas musicas de duas notas, Brown desafiando a lógica com seu andante camarote, os cordeiros no “rebolation” e a rua sendo esta mistura de tudo com tudo. E até 2011 com tudo novo de novo. Ajayo!

 

 

 

 

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10.11.09

VOU SER POETA

O título do post fala um pouco do assunto que será aqui comentado: POESIA. Já disse em  outros posts que escrevo por diversão e prazer e quando diversão e prazer sao reconhecidos e premiados, aí a coisa fica melhor ainda. A alguns meses inscrevi, sem muita pretensão, uma poesia de minha autoria no festival cultural Banco do Brasil, evento nacional anul. Pois, entre 454 poesias, um texto meu foi escolhido como finalista. Estarei este final de semana em Basília para participar da final do festival representando as regiões da BAHIA,SERGIPE E ALAGOAS. Que coisa boa.

Escrevi várias poesias, nunca as publiquei. A unica conhecida até agora é “AMOR ISOPOR”, que a minha querida companheira Nara Si, com sua sensibilidade e talento peculiares, musicou. Mas vou estreá-las aqui em grande estilo. segue o texto premiado, que é uma brincadeira ou um diálogo entre minha parte otimista com a pessimista. Espero que gostem. Peço que torçam por mim na final deste sábado, dia 14, em Brasília.

VOU SER POETA

 

 

- Lá vem ele de novo

   Mal lê e escreve, só assoletra.

   Já quer ser chamado

   De escritor, de poeta.

 

                                                           - Deixe disso! Pare de inveja

                                                              Tenho traço refinado, nada furreca.

                                                              Consigo até rimar

                                                              Patinho feio com filho de marreca

- Agora eu vi!

  Filho de pai semi e mãe analfabeta

  E fica pensando

  Que pode ser poeta

 

                                                                                                                     

                                                           - O que seria do Assaré

                                                              Sem o seu Patativa

                                                              Perfeita simetria

                                                              Poeta morto, obra viva!

 

- Vai pensando que é só escrever

   Tenta das letras sobreviver

   Em nosso país pra aparecer

   É preciso sumir. É preciso morrer!

 

                                                           - Não quero passar a vida inteira

                                                               Em barraca de feira

                                                               Vendendo prato, pinico e caneca.

                                                               Quero ser um Gregório

                                                               Vou ser poeta!

 

- Só porque passou pelo pelô

  E de sua casa viu uma fresta

  Já sai achando-se o “Boca do Inferno?”

  Desista de ser poeta     

  Sendo um homem afortunado,

  Serás um Gregório.

  Não pela poesia

  Mas por ser excomungado.

 

                                                          

 

 

 

        Nem tente me desanimar

                                                                   Registro a vida em sua simplicidade

                                                                   Se não prestar pra poeta rural

                                                                   Vou ser poeta da cidade

 

- Escute aqui o seu amigo velho

  Trabalhe muito pra construir um teto

   É loucura querer ser poeta

   Num país cheio de analfabeto

 

                                                                      

 - vou seguir tentando

                                                                          Sem escrever sou eu sem mim

                                                              Na vida vou observando

                                                              Vou aprendendo a sentir

                       

 

- Continuo achando besteira

   Isso de ser poeta

   Sofrer a vida inteira

   Fechando duas portas pra ver uma aberta

 

                                                                      

- Vou correndo pra casa

                                                                          Escrever essa nossa conversa

                                                                          O duelo do pessimismo

Contra a sagacidade

Registrar sem pressa

                                                                          E esperar pelos versos da eternidade.

 

Out/2005.                                                                

  

                                                              

           

 

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31.7.09

O RITUAL DA COXINHA

 

O ser humano é, por natureza, supersticioso. Aqui e acolá vão aparecer pessoas dizendo não possuírem nenhum tipo, mas o certo é que a grande maioria possui.

 

O que dizer do medo de passar embaixo de escada, pisar com o pé direito, medo de gato preto e tantas outras. E da superstição para o ritual, é um pulo. E não conheço categoria que tenha mais superstições que torcedor de futebol. E tem cada uma esquisita. Tem nego que usa a mesma cueca e não lava nunca, a mesma camisa, a mesma companhia para assistir o jogo. Tem alguns que utilizam o mesmo local do estadio, mesmo em pituaçu, que é novinho em folha ( a reforma), já tem os “lugares sagrados”. Tem uma barra de proteção que já está com uma “morsa”, pois o cidadão que esqueci o nome agora, desde que o estadio reinaugurou, ele assiste no mesmíssimo lugar e ele é, digamos assim, barrigudinho e com a pressão da “danada”, o ferro já se curvou. Tem um outro companheiro que vai com três amigos. Quando o Bahia está no sufoco, ele pede ao colega que vá comprar uma “cerva”. É o camarada subir as escadas rumo ao bar que o Bahia faz um gol. É certo! Como dizemos aqui na Bahia, é “pá, casca!!”

Sou torcedor do BAHIA e apenas dele. Tenho ido pouco ao estadio e ontem, plena terça, jogo iniciando às 22 h, me aventurei em ver Bahia X Juventude. Fui em companhia dos amigos de longa data e companheiros de jornadas “futebolísticas” Gledson e Miquéas. E descobri que os dois, criaram um ritual que deu certo nos jogos Bahia X Paraná (2×0),Bahia X Ceará ( 1×0), Bahia X Vasco ( 2×1), que apelidei de “O RITUAL DA COXINHA”. Eles estacionam o carro no mesmo lado da paralela. Compram os ingressos numa determinada bilheteria. Entram pelo portão do lado direito do estádio. Param no primeiro bar do lado direito e compram, cada um, uma coxinha. Só após deglutir a especiaria é que olham em direção ao gramado. Atravessam toda a extensão e sentam-se no lado contrario ao bar. E ontem, como estava em companhia dos dois, segui o mesmo ritual. Mas, como o jogo terminou em empate, o ritual não funcionou. Sofri com os olhares desconfiados dos meus amigos.

Fiz uma rápida análise, racional e lógica, pois não sou supersticioso e nem acredito nestas coisas e não sei o deu errado ontem. Fui com a mesma camisa de sempre, assisti aos mesmos programas de sempre, usei os mesmos palavrões nos momentos de “braga” dos jogadores, cruzei os dedos exatamente como faço em todos os jogos que fui e meu time ganhou. Entrei no estadio com o pé direito.

Lembrei de um detalhe que pode ter influenciado no resultado do jogo. Ontem eu usei um desodorante do frasco verde. xiiiii

 Além da interferência negativa do frasco verde, houve quebra no ritual, pelo consumo de pipoca, que contribuiu para o desfecho observado por Gladson,. ” o time pipocou”.

 Leia este post tambem no site www.bahêaminhaporra.com.br

 

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22.7.09

CHOVEU? PEGUE UMA PRAIA!

 

A principio relacionar tempo chuvoso com praia parece ser um disparate. Mas se olharmos bem, bem, com detalhes, pode ser uma boa idéia. Ao menos vou listar aqui as vantagens e vocês tiram suas conclusões.

Para começar, o caminho ou estrada até a praia está vazio, sem engarrafamentos ( a não ser dia de temporal. Mas a chuva que estamos falando aqui é aquela normal.). Para estacionar, então nem se fala! E ainda de quebra, você fica livre dos flanelinhas. Você escolhe a vontade onde parar seu carango. Agora vem a etapa dois: A Barraca. Pode escolher qualquer uma! Você vai ser disputado pelos garçons como uma pedra preciosa. Será sempre atendido de forma rápida e cordial. A cerveja chegará estupidamente gelada. Pouca gente, freezer abrindo pouco. Tudo perfeito. O tira-gosto no demora.

Outra vantagem é na quantidade de bronzeador. Vai economizar. Só não pode economizar com o filtro solar, que mesmo em dia de chuva deve ser utilizado. Mais uma vantagem de estar na praia em dia de chuva: a areia. Ela estará molhadinha, sem pregar tanto em seu pé e sem o vento jogar em seu olho. Você tem a opção ainda, em dia de chuva, de tomar um banhozinho morno. Pois a maioria das praias, devido a inversão térmica, ficam com as aguas mornas. Melhor que isso, só num ofurô! E não param por ai. Você terá menos aborrecimentos com os atletas de final de semana. Suas bolas e bolinhas não te acertarão a toda hora.

Mas uma coisa merece um capitulo especial: os vendedores ambulantes. Olha, são tantos que vou me dar o trabalho de listar aqui.

01 –picolé

02 –canga

03 – bronzeador

04 – chapéu

05 – óculos

06 – tatuagem de hena

07 – bóia

08 – camarão no espeto

09 – acarajé

10 – caldo de sururu

11 – pipa

12 – artesanato

13 – cocada

14- amendoim torrado

15 – amendoim cozido

16 – ovo de codorna

17 – chaveiro

18 - ostra viva

19 – camisetas com frases

20 – taboca

21 – coco verde

ufa! É muito minha gente!

Se você ficar umas seis horas na praia, só com estes vendedores, dá uma média de um a cada 17 minutos!

E em dia de chuva eles praticamente não aparecem. Paz, tranqüilidade, bons erviços. Isso é que é diversão!!!

e se você me perguntar pelo sol, te respondo agora, claro que é minha opinião:

aí você já quer demais!!!!!!!!!!! e muito sol dá câncer de pele!

Então, já sabe, choveu, corre pra praia!

 

 

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4.5.09

Memórias esparsas da infância. Do tergal até a Punça.

Tem tempo que não escrevo nada digno de publicação. Não que eu fique muito preocupado com isso, pois escrevo por diversão.  Falando em tempo, estive lembrando estes dias dos meus tempos de criança. E isso faz é tempo. Muito tempo.

Tem coisas que só temos coragem de contar depois que aconteceu ha séculos. E as que vou contar aqui estão nesta categoria. Já contei aqui sobre minhas aventuras fazendo compras na baixa dos sapateiros (link). Mas vale um pequeno resumo. Agente começava no aquidabã, andava pela baixa dos sapateiros inteira. Quando as coisas estavam mais ou menos, o lanche era na pastelaria chinesa (e na maioria das vezes era). Quando a grana sobrava mais um pouquinho, rolava um lanche na pastelaria Paris. E quando a coisa tava pra lá de ótima, quando agente chegava à rodoviária, minha mãe entrava no Unimar e comprava pra mim um pacotinho de uva passa “sunrise”. Mas a glória mesmo era quando conseguia ganhar mação verde “importada da Argentina”. Dessas viagens, lembro nitidamente do dia em que meu relógio caiu e quebrou no granito da rodoviária. A pancada Foi tamanha, que espalhou engrenagem pra um lado, mica pro outro, minuto pro sul e ponteiro das horas pro norte. Fiquei muito tempo com raiva de piso de granito.

No primário, usava uma fardinha que eu odiava! Com todo respeito ao esforço de meus pais em nos dar (somos três filhos) Calça de tergal e camisa também de tergal e o famigerado ki chute. Já começavam a aparecer por estas bandas os tênis Nike “Hollywood” e uns olympikus de nylon. Mas meu objeto de desejo de menino de nove pra dez anos era a calça jeans. Terminei o primário aos nove anos. Aos dez chegaria ao ginásio, estudaria no centro da cidade. Comecei a infernizar minha mãe para me dar uma calça jeans e uma camisa de poliéster, com éclair como gola em vez do manjado botão e a camisa de tergal. O que minha mãe fez¿ comprou um “pano” jeans na feira dos tecidos e mandou fazer a tal da calça. E pra completar, os bolsos eram feitos de tela. Parecia um mini mosqueteiro nos bolsos. Nem precisa falar que d-e-t-e-s-t-e-i.  Pra completar o quadro bizarro da minha estréia no ginásio, só saía pra aula depois de minha mãe encher de um perfume fortíssimo, que vendia no supermercado central, chamado CONTOURÉ e empapar a punça* de talco. Acontece que quando estudava no primário, era perto de casa e ao passar para ginásio, estudava longe. Pensem o quadro quando chegava ao polivalente, suado, empapado de talco e cheirado forte. Um horror!!

Esta tortura durou uma semana ou mais.  Cessou as sessões tortura com o perfume e o talco estavam resolvidos. Mas a desejada calça jeans só foi resolvida seis meses depois. Consegui ganhar uma US TOP.

Outra coisa que me lembro bem era da hora do almoço. Minha mãe colocava os três filhos na mesa sempre na mesma hora e com o rádio ligado na sociedade, servia o almoço. Em 99% dos dias rolava bife. E sempre estava tocando o hino do Senhor do Bomfim. Fiquei um bom tempo da minha vida chamando o hino de “a música do bife”.

 

 

Quando minha mãe saía pra comprar sapatos e roupas pra gente, sempre rolava aquela expectativa. Claro que eu imaginando aquela roupa “de marca” ou aquele tênis da moda, quando ela chegava, rolava certa decepção.  Tem uma passagem que nunca esqueci. Eu tinha uns quinze anos (já fora da infância, claro). Tava precisando de um tênis novo e já tinha abandonado o ki chute graças a Deus. Dei toda a descrição, marca (Rainha, topper, olympikus, All Star entre outros). Quando chego em casa, a caixa de sapato em cima da cama. Corro, abro o pacote e me deparo com um tênis azul Royal, bem bonitinho, da marca “Cercado”. Rapaz, bateu forte a decepção, que só aumentou no dia seguinte, quando foi para o SENAI, com a galera tirando o couro por causa do tênis. O tempo passou mais um pouquinho e comecei a trabalhar e comprar minhas próprias coisas.Mas fica o aprendizado. Tudo que agente conquista na vida deve ser valorizado.

*um pedaço de pano macio, em geral redondo, que antigamente era usado para passar talco nas crianças!!  De lá de casa era azul. Lembro como se fosse hoje!

 

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15.1.09

Lavagem do Bomfim (Geddel Erótico)

                                                                           

                                                                            

 

Como bom baiano, acabo de chegar da lavagem do bomfim. Inicia-se assim, digamos, o ciclo de exercícios físicos profanos para perder os quilinhos e também os pecados acumulados.
Tem um anúncio, meio batido, mas que cabe muito bem aqui nesta narrativa. Só se vê na Bahia. A tradição manda o uso do branco, pois Senhor do bomfim, nestas sincréticas bandas também é oxalá, que pede a cor branca. um milhão de pessoas nas ruas em pleno dia útil. Útil é modo de se falar, pois na Bahia, a vida só volta ao normal mesmo após o carnaval. Mas o cortejo é uma profusão de cores, com predominância do branco e preto e branco e vermelho. Explico: o branco e preto é a indumentária misturada com nossa mestiça pele e o vermelho fica por conta dos turistas e baianos, digamos, mais branquinhos. Pois para quem não sabe, o cortejo começa na conceição da praia e termina no alto da colina. E são apenas, apenas oito quilômetros. O cortejo pega fogo, literalmente. Seja pelo calor, seja pela tradição, juntamente com a festa de dois de julho, dos políticos medir forças ( eu vi Jaques Wagner, Valdir pires, geddel, João Henrique, Caetano entre outros) e o povo, sabendo que eles são contumazes frequentadores da procissão, levam seus recadinhos.
Pra mim o dia começou cedo. Acordei, arrumei tudo, roupa branca, que depois foi trocada
Por outra igualmente branca “ofertada” pelo companheiro Otaviano. Seguimos para salvador em dois veículos( Eu, Elci, Marilu, Otaviano, Binho e Helton), que ficaram estacionados no inicio da baixa dos sapateiros. Descemos pelo pelourinho (passamos em frente ao bar de Neuzão, da minissérie ó pai ó!) e pegamos o cortejo ainda no início. Pelo caminho, as mais pitorescas figuras. Pretos velhos saídos diretamente das estórias de Jorge Amado, as bandinhas chupa catarro, gays, parrecos (tradução baiana para bunda) em mínimos shorts, baianas “picando” alfazema e água de cheiro em todo mundo, o Gandhy na sua tradicional batida, carroças enfeitadas, que dizem as más línguas bateu o valor de R$ 400,00 a subida em uma delas, os grupos com camisas diversas. Chamou-me atenção uma faixa, colocada logo após o trapiche barnabé: GEDDEL HENRIQUE, FELIZ R$ 2,20 DE PASSAGEM DE ONIBUS.  Outro detalhe que estava em destaque é o novo estádio de pituaçu. Tinha mais faixa com o nome do estádio que do governador ou do santo homenageado.
Fiz o trajeto todo a pé, com manda a tradição. “Quem tem fé, vai a pé”. Outra tradição tão forte quanto à festa são as feijoadas. Encontrei Nilton, companheiro da Prefeitura, que tratou de nos convidar para a que aconteceria na casa dele. Após a longa caminhada, fitas devidamente colocadas no adro da igreja e outra amarrada na mão, três pedidos, participei da missa que estava acontecendo no lado externo da igreja. Interessante ver como as pessoas emocionam-se, a mistura das religiões se processam em meio aquele bem arrumado tumulto. Começamos a descida da colina sagrada em direção a casa de Nilton. Ao longe, ouço  aquele velho e conhecido som té tsu gum tê, Tum té Tum pact pact (isso é a onomatopeia do som do Gandhy) e eis que ao olhar para cima do carro do afoxé, avisto o ministro da requebração nacional, Geddel. Meus amigos que cena grotesca, pois o bichinho, sozinho já é feio que dói e ainda por cima, encenando uma coreografia que nada tinha a ver com o som que estava sendo tocado pelo Gandhy, mais lembrando Débora Brasil, nos primórdios do tchan, em seus orgásmicos trejeitos coreográficos. Tava lá, o ministro, agarrado ao ferro do trio, com movimentos de vai-e-vem, mais adequados para o mega sucesso “perereca pra frente, perereca pra trás”.
Confesso que tinha a expectativa de ver a Vereadora Leo Kret, freqüentadora da lavagem e portadora de um rebolado digno das sherazades da vida. Estava curioso em saber se ela iria de shortinho ou de terninho para o samba! Mas ver o ministro naquele rebolado, realmente é muito para meus sensíveis olhos. Após a visão, concluo que será ele realmente candidato a governador. Seria bom colocar Carlinhos de Jesus como vice, assim, uma vez vitorioso, tiraria as outras lavagens, o carnaval e as micaretas de letra! Sugestão dada. E de graça, meu bom.
Como ia dizendo, ao avistar o ministro, ia seguindo para a casa de Nilton. Chegamos, comemos  deliciosa feijoada ( inaugurei a mesa do dia). Após três deliciosos pratos, seguimos até caminho de areia, procurando um taxi ou ônibus para voltarmos ao início de tudo, eis que o companheiro Otaviano lembra de outra feijoada, desta vez numa churrascaria lá mesmo em caminho de areia. Pra não fazer desfeita ao pessoal do Gandhy, nos instalamos e, pasmem, comemos novamente, exceto Marilu, pois ao ver o tamanho do prato que o marido preparou para ela, debulhou-se em lágrimas com farinha, pois quanto mais tentava conter o derrame, mais passava farinha no rosto. Realmente, esta Bahia é um sucesso. Finalmente, retornamos aos carros num caminhão baú, de carona, pois quem tem fé vai a pé, mas pode voltar motorizado que oxalá perdoa.
E estamos no começo, amanhã tem Guarajuba, depois jauá, ribeira, rio vermelho, monte gordo, rosário dos pretos, santo amaro etc, etc, etc…..

 

http://www.atarde.com.br/videos/index.jsf?id=1051943 ( veja aqui geddel dançando)

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